quinta-feira, 5 de março de 2015

Tempo de planejamento

Planejamento| Crédito: Shutterstock/ Montagem
O  início das aulas é o período em que os professores planejam o que vai acontecer ao longo do ano. É hora de avaliar o que aconteceu em experiências anteriores, preparando-se para repetir o que deu bons resultados e consertar o que não funcionou bem. O tempo para fazer isso é sempre curto e, muitas vezes, utilizamos mal. Dessa forma, listei a seguir alguns pontos que podem ajudar a pensar sobre o planejamento, visando aproveitar esse momento da melhor maneira possível:
Avalie o que já foi realizado
Caso você tenha a intenção de repetir com a turma nova um determinado trabalho feito anteriormente, é importante avaliar junto com a equipe da escola como ele transcorreu em anos anteriores e quais ajustes o tornariam melhor. Dessa forma, garanta um tempo do planejamento para a reflexão sobre o que aconteceu no passado, sinalizando claramente o que foi positivo e deve ser mantido e o que foi negativo e precisa ser repensado.
Antecipe o que pode acontecer
Sua experiência com turmas anteriores conta muito na hora de planejar. Ter uma noção de quanto tempo os alunos levam para fazer uma atividade, por exemplo, é algo valioso. Da mesma maneira, saber que propostas podem gerar conflitos e ter um repertório de possíveis soluções são antecipações que você pode e deve fazer para reduzir os problemas que vão aparecer pelo percurso. Imprevistos acontecem, mas é ótimo poder minimizá-los.
Inove
É o momento de pensar em novos projetos, temas que não foram abordados e colaborações entre disciplinas que ainda não tenham sido estabelecidas. Em minha opinião, esse é um dos melhores aspectos do planejamento, pois é a oportunidade de fazer coisas novas, o que sempre é muito motivador.
Replaneje em função da turma
Faça um planejamento antes de receber os alunos, mas não tenha receio de mudá-lo após conhecê-los de fato (leia aqui sobre como preparar um bom diagnóstico). Uma característica da Educação de Jovens e Adultos é a extrema heterogeneidade entre as turmas, portanto, o que deu certo no ano anterior pode não funcionar neste ano. Fique atento!
Já cheguei a deixar de lado uma sequência didática de várias aulas, que havia planejado com antecedência, porque senti que os estudantes não tinham interesse no assunto que ela abordava. Também já inseri atividades de aprofundamento em ocasiões em que a turma avançou mais rápido do que eu tinha previsto.
Não esqueça do tempo
A limitação número 1 da EJA precisa ser levada em conta. Novos projetos e inserções de atividades são muito bem-vindos se o objetivo é melhorar o curso, mas não podemos perder de vista que o tempo é limitado e que temos de nos ajustar a ele de forma realista. Há alguns anos, planejei um conjunto de atividades apenas contando o número de semanas, sem levar em conta os feriados. Resultado: percebi só em cima da hora que não teria o tempo que imaginava para finalizar o previsto e tive de cortar atividades que eu gostaria de ter mantido.
Se você vai estrear como educador da EJA , sugiro que leia aqui algumas dicas para quem nunca trabalhou nesse segmento. Pode ser que elas te auxiliem no planejamento.
E você, professor, tem alguma dica para ajudar a planejar seu curso na Educação de Jovens e Adultos? Compartilhe!

Diagnóstico inicial


Diagnóstico inicial | Crédito: shutterstock
O ano letivo começou e muitos professores assumiram turmas que não conhecem ainda. Com isso, existe o risco de partir de um ponto que os alunos já dominam e ser repetitivo ou, o que é pior, propor atividades que são muito difíceis para a turma. Vale lembrar que, na Educação de Jovens e Adultos, a proposta do ano anterior pode não funcionar bem neste ano, pois cada turma tem suas especificidades.
Quanto antes conhecer suas turmas, melhor para o trabalho docente. Daí a importância de desenvolver maneiras de descobrir, logo nos primeiros dias de aula, o que os estudantes sabem e o que precisam aprender.
Um professor polivalente, que acompanha a turma todos os dias, tem condições de fazer um diagnóstico mais extenso e determinar com mais precisão em que ponto estão os alunos e quais são os aspectos que merecerão mais atenção ao longo das aulas.
No Ensino Fundamental 2 e no Ensino Médio, por terem um tempo reduzido com os alunos, alguns educadores fazem provas de sondagem inicial. No entanto, esse nem sempre é o instrumento mais adequado, já que é muito pontual e focado em conceitos. O diagnóstico, além de levantar os saberes de cada um, deve ter a função de revelar quem são esses estudantes: como se comportam no ambiente coletivo, o que fazem quando há um problema que não conseguem resolver, se existe uma área que é especialmente problemática, entre outros fatores.
Para contornar o pouco tempo com a turma, uma saída é elaborar o diagnóstico de maneira coletiva, junto com os demais professores. Assim, enquanto um observa determinado aspecto, os colegas levantam outros, de forma que seja possível construir um panorama mais completo da classe nas reuniões pedagógicas.
O diagnóstico é um instrumento para definir um ponto de partida e facilitar o seu trabalho pedagógico. Caso seja bem elaborado, ele torna-se uma baliza com a qual você pode comparar o desempenho dos alunos ao final do semestre, identificando a evolução deles.
Algumas dicas que podem ajudá-lo na elaboração dessa ferramenta:
Enfoque procedimentos, para além dos conceitos – Os assuntos que você abordará mudarão ao longo do ano letivo, mas muitos procedimentos serão usados repetidamente – como os de leitura. Por essa razão, no início do trabalho, vale a pena usar uma atividade que exija leitura e escrita, que são essenciais para uma grande parte dos conhecimentos, e dar menos ênfase aos conceitos específicos da sua área.
Converse com outros colegas sobre a turma - Fazer um diagnóstico coletivo, com cada professor observando um aspecto da turma, permite conhecer os alunos de vários pontos de vista. Além disso, muitas informações preciosas podem ser obtidas com os colegas que já trabalharam com os mesmos alunos em momentos anteriores. Em ambos os casos, é fundamental reservar momentos das reuniões pedagógicas para essa troca de informações.
Procure conhecer o perfil da turma e de cada estudante – Um aspecto que é muito importante para o trabalho diz respeito à atitude individual e coletiva dos alunos nas aulas. A turma é participativa ou calada? Será que trabalhos em grupos funcionarão bem ou causarão mais conflitos que benefícios? Quem são os alunos de ritmo mais lento e que demandarão acompanhamento mais próximo? Quanto antes você puder responder essas perguntas, mais rápido conseguirá elaborar atividades que sejam efetivas para a turma.
E você, professor, realiza alguma atividade para conhecer suas novas turmas? Como faz para descobrir o que eles já sabem e como são como alunos? Compartilhe conosco!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Brasil, pátria educadora de Jovens e Adultos?

 | Sem categoria
Crédito: Shutterstock / Montagem
O discurso de posse da presidente Dilma Rousseff, reeleita para mais quatro anos à frente do governo federal, ainda repercute entre nós, professores, por conta do lema escolhido para o novo mandato: “Brasil, pátria educadora”. Se por um lado esse posicionamento parece sinalizar que a Educação será finalmente prioridade (algo longamente reivindicado), por outro, nosso instinto é – escaldados por décadas de descaso – desconfiar que possamos mais uma vez ficar somente no discurso, sobretudo no que diz respeito aos Jovens e Adultos.
Será que o slogan vale também para a EJA? Caso sim, precisaremos de um grande esforço para enfrentar de fato os problemas dessa modalidade de ensino. Isso é o que comprovam os dados:
Em termos de alfabetização, o país ainda precisa abrir espaço para que cerca de 13,3 milhões de brasileiros acima de 15 anos aprendam a ler e escrever, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para ter uma ideia do tamanho do problema, segundo o Censo Escolar 2013, há apenas cerca de 3,8 milhões de alunos matriculados na EJA. Isso significa que, para dar conta da população não alfabetizada, a oferta de cursos precisaria mais do que triplicar. Um desafio e tanto!
Ao considerarmos a Educação Básica como um todo, o buraco é ainda mais embaixo: cerca de 83 milhões de pessoas com 18 anos ou mais não concluíram o Ensino Fundamental ou o Médio, de acordo com o Censo Demográfico 2010, o que corresponde à quase metade dos brasileiros.
Em um país com déficits educacionais acumulados por anos, como o Brasil, volta e meia reaparece a discussão se deveríamos investir na EJA: Será que não seria mais interessante priorizar a Educação das crianças, que ainda têm toda a vida profissional pela frente? Esse investimento não “daria mais retorno”? É como se tivéssemos de escolher entre elas e os adultos. Esse argumento é empregado com frequência por alguns gestores para desencorajar investimentos no atendimento ao público mais velho.
Por outro lado, há quem defenda a EJA como uma ferramenta de formação de mão de obra mais qualificada. São comuns reportagens sobre empresas que não conseguem preencher as vagas de trabalho por não encontrarem profissionais suficientemente capacitados. Segundo essa perspectiva, acelerar a formação desses adultos é bom para os empregadores, para o governo e para os futuros funcionários, que conseguiriam melhores ocupações e salários.
Porém, anterior a qualquer debate, há outro aspecto ainda mais essencial, que é o do direito à Educação. Se, como afirma a Constituição Federal, todo brasileiro tem direito à Educação Básica, então o estado deve prover condições para que isso aconteça, mesmo no caso de quem não teve condições de estudar quando criança. Isso significa proporcionar uma situação propícia para que essas 83 milhões de pessoas estudem e concluam uma etapa de aprendizado que lhes é de direito.
Como escreveu o cientista político Daniel Cara, até agora nossa postura como país foi aguardar que as pessoas analfabetas envelheçam e, consequentemente, morram. A perspectiva da EJA como instrumento para prover o direito à Educação ainda não foi encampada historicamente no Brasil. Será que conseguiremos mudar essa postura? Seremos, de fato, uma pátria educadora para todos?

sábado, 6 de dezembro de 2014

MORADORES DE SEROPÉDICA PRESTIGIAM ESPETÁCULO DE DANÇA CONTEMPORÂNEA

1ª FORMAÇÃO COM OS DOCENTES DA
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

TEMA 1
“EJA - Educação de Jovens e Adultos:
História, Sujeitos, Alfabetização e Currículo”

O evento ocorreu no dia 10 e abril de 2015, na U. E. CAIC - Paulo Dacorso Filho - Seropédica / RJ, no horário de 18h00 às 21h30, com a participação de 57 docentes, das 9 (nove) Unidades Escolares que atuam com a Modalidade de Ensino EJA e 4 alunos de Graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ - Seropédica/RJ, do 7º período do Curso de Pedagogia (conforme quadro demonstrativo abaixo). Foi organizado e coordenado pelas Professoras Valéria Luíza Pereira e Patrícia Carvalho e o Professor Adriano Lopes Rosa, da Coordenação e Orientação Pedagógica da SMECE - Seropédica / RJ.
A formação de professores para a EJA é essencial para que haja uma educação de qualidade, pois somente desta maneira o educador será capaz de elaborar didáticas que resultem bons desempenhos em sala de aula, garantindo a permanência desses alunos na escola. Mostrando-os a importância de continuar seus estudos, a fim de que se tornem cidadãos críticos e reflexivos para que possam interagir de forma participativa na sociedade.
Foi ministrada a palestra: “As Políticas Públicas Educacionais e a Educação de Jovens e Adultos no Brasil”, com a Prof.ª Drª Adriana Alves Fernandes Costa - UFRRJ – Seropédica/RJ, onde foram abordados os seguintes assuntos:
1.                            EJA: Definições e ausências.
2.                            A Educação, a Escolarização e a Alfabetização de Adultos.
3.                            A Cultura dos Mínimos.
4.                            Educação Brasileira: Caráter elitista como marca que a constitui.
5.                            As Políticas Educacionais: Campanhas e interesses diversos.
6.                            Paulo Freire.
7.            A ausência da centralidade e valorização da aprendizagem do estudante da EJA.
8.                            Os sujeitos da EJA: Aluno (a) e professor (a)
9.                            Desafios
10.                         Juvenilização da EJA.
11.                         A guisa da conclusão: lugares tocados por comunhão.







PROGRAMAÇÃO / FOLDER

18h - Credenciamento

18h15min – Boas Vindas / Abertura
Equipe de Coordenação e Orientação Pedagógica da Educação de Jovens e Adultos SMECE - Seropédica / RJ
Prof. Adriano Lopes, Prof.ª. Valéria Luíza Pereira e Prof.ª. Patrícia Carvalho

18h20min – Planejamento / 2015:

  • Projeto Macro da SMECE:
“Aprendendo preservar, ensinando a viver”

  • Projetos Pedagógicos da EJA
1º Semestre de 2015:
“Água: Um bem econômico de valor vital para a nossa existência.”
Palestra nas Unidades Escolares no horário noturno.
2º Semestre de 2015:
“Educação Ambiental: Um caminho para a sustentabilidade.”

  • Formações SMECE / Informações
1º Semestre/2015:
TEMA 2:
“Metodologia: Capacitação por Áreas de Conhecimento na Educação de Jovens e Adultos”
  • Contextualização na EJA: Uma experiência em construção
  • Grupos de trabalhos com os eixos temáticos das discussões:
“Reavaliação e adaptações dos conteúdos mínimos 2015 – uma análise pedagógica no currículo da EJA (para 2016).

TEMA 3: Palestra:
“Dificuldade de Aprendizagem: Sob o olhar Psicopedagógico”
  • Calendário da EJA
1º  e 2º Semestres / 2015
(Disponíveis nas Unidades Escolares)

TEMA 4: Palestra
“Voz saudável, gente consciente!”

18h30min – Palestra:

“As Políticas Públicas educacionais e a Educação de Jovens e Adultos no Brasil”

Palestrante: Prof.ª Drª Adriana Alves Fernandes Costa – UFRRJ – Seropédica/RJ.

  1. EJA: Definições e ausências.

  1. A Educação, a Escolarização e a Alfabetização de Adultos.
- A Cultura dos Mínimos.

  1. Educação Brasileira: Caráter elitista como marca que a constitui.

  1. As Políticas Educacionais: Campanhas e interesses diversos.

  1. Paulo Freire.

  1. A ausência da centralidade e valorização da aprendizagem do estudante da EJA.

  1. Os sujeitos da EJA:
Aluno (a) e professor (a)
  1. Desafios

  1. Juvenilização da EJA.

  1. A guisa da conclusão: lugares tocados por comunhão.

21h30 – Encerramento

APRESENTAÇÕES ORAIS, PROVAS E TRABALHOS: situações que estressam os alunos da EJA

 | avaliação, comportamento, sala de aula

Aluna preocupada com as provas | Crédito: Montagem shutterstock
A maioria dos meus alunos tem grande apreço pela escola e gosta de frequentá-la. Muitos se empolgam com os novos aprendizados e valorizam não só as aulas, como também os eventos culturais e o fato de a instituição ser um espaço de socialização. Alguns deles, por exemplo, não têm oportunidade de conversar com a família ou com pessoas no trabalho, portanto os colegas de sala acabam sendo os únicos amigos. Contudo, apesar de prazerosa, a escola pode ser também estressante em determinados momentos.
Tradicionalmente, o final do semestre é um tempo de avaliações, finalização de tarefas e apresentações de fim de curso em grande parte das escolas. E há vários estudantes que não lidam bem com essas situações na Educação de Jovens e Adultos. Já vi casos de pessoas que ficam extremamente nervosas em dias de prova ou de apresentações de trabalhos. Particularmente, quando eu era estudante, não me sentia à vontade em participar de seminários, mas acabava encarando a dificuldade, como todos os meus colegas. Na EJA, no entanto, por se tratar de adultos, essas circunstâncias podem tornar-se muito delicadas.
Mencionei as apresentações orais em outro post e como elas são um grande desafio para as classes da EJA. Desde que comecei a lecionar nesse segmento, fiz esse tipo de proposta e, rapidamente, percebi que eram difíceis para alguns alunos. Apesar disso, sempre as mantive por considerar que os aprendizados eram maiores que os desconfortos. Até hoje, penso que os ganhos são, de fato, significativos, mas aprendi a ter mais cuidado com os receios, as vergonhas e até o pânico que acometem os estudantes.
Vivi muitas situações que evidenciaram esse receio por parte da turma, como alunos que faltavam em dia de apresentações ou de trabalho em grupo e que ficavam absolutamente travados ao fazer provas. Os dias que antecedem a explanação oral estão entre os mais estressantes para eles. Na véspera do seminário, aparecem alergias na pele, crises de pressão alta, dores de barriga, infecções urinárias, nervosismo excessivo, entre outros sintomas. É normal ficar doente de vez em quando, mas metade da classe adoecer na mesma semana supera toda a chance de acaso estatístico.
Preocupado com o efeito que essas atividades têm nos alunos, há alguns anos tenho tomado cada vez mais cuidado (leia aqui sobre a sensibilidade de alguns estudantes da EJA). Busco discutir com eles se vale a pena realizar essas tarefas. Será que os ganhos superam todo o estresse que aparece? A quase totalidade dos alunos diz que sim. Mesmo aqueles mais retraídos e que passam por mais obstáculos afirmam que o percurso é cheio de aprendizados.
Entretanto, já me deparei com alunos que desistem da escola por não suportarem tarefas em grupo e apresentações em público. Aparentemente, tomar a palavra pode ser penoso demais para algumas pessoas, que estão dispostas a jogar para o alto todos os benefícios da escola por conta dessas dificuldades. Há consequências ainda piores que a evasão. Recentemente, soube de um estudante que tentava abandonar o alcoolismo, mas teve recaídas justamente nos momentos em que tinha de falar em público na escola.
Por conta de episódios como esses, temos uma noção do tamanho da nossa responsabilidade ao propor atividades na EJA. Acredito que não se trata, obviamente, de abandonar um trabalho que é importante para a maioria dos alunos. Porém, é preciso traçar um caminho que seja menos árduo, com mais etapas intermediárias e mais acompanhamento para esses casos.
Você já vivenciou algo parecido em suas turmas? O que fazer?

ALUNOS HETEROGÊNEOS PEDEM DESAFIOS ESPECÍFICOS

Disponível: http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/2014/11/25/alunos-heterogeneos-pedem-desafios-especificos/

 | avaliação, comportamento, sala de aula
Crédito: montagem/shutterstock
No post anterior, apresentei um dilema muito comum nas classes de EJA: os conflitos gerados pela diferença de ritmos e de assiduidade entre os alunos. Muitos professores sentiram-se provocados a discutir o assunto e, a julgar pelos comentários feitos nas redes sociais e aqui no blog, essas diferenças não estão restritas à Educação de Jovens e Adultos.
De fato, a heterogeneidade está presente em qualquer situação que envolva seres humanos, e quem espera a uniformidade não deveria trabalhar com pessoas. Não adianta almejar que todos os alunos sejam iguais quando sabemos que eles não são. Existem diferenças de interesses, expectativas, habilidades, ritmos, entre muitas outras coisas. Em vez de negar essa realidade – que não vai mudar –, nós, professores, deveríamos assumi-la como ponto de partida e, mais que isso, aproveitá-la para potencializar o trabalho em sala de aula.
Seguindo esse ponto de vista, separar os alunos por desempenho se mostra pouco produtivo e antidemocrático. É preciso pensar em práticas pedagógicas que tirem proveito da variedade de que dispomos e que incluam em vez de discriminar. Mas como fazer isso?
Uma primeira saída é enxergarmos a Educação para além dos conteúdos conceituais e assumirmos que a escola também é espaço para desenvolver outros aprendizados, como a tolerância e a convivência, tratando-as como conteúdos a serem trabalhados em grupo. Isso não deve ser feito de maneira acadêmica, expositiva, com o professor explicando o que significa convivência, mas com os estudantes, de fato, convivendo.
Para ilustrar essa ideia, imaginemos um trabalho de pesquisa em grupo sobre o tema Diabetes. Existem, é claro, todos os conteúdos envolvidos e que desejamos que os alunos aprendam, a exemplo da função do pâncreas, do que é glicemia e do que é insulina. Porém, isso é apenas parte da tarefa, pois também queremos que eles conversem, realizem a pesquisa sem brigar, dividam as funções de maneira harmônica e se ajudem. Tendemos a valorizar demais a porção conceitual do trabalho, avaliando se chegaram às ideias academicamente aceitas, mas em grande medida ignoramos toda a interação que a pesquisa envolveu. Essa porção é bem mais difícil de avaliar.
Já que separar os alunos não é uma opção, vou contar como eu faço para lidar com as diferenças de ritmos e perfis em minhas turmas: com desafios específicos para cada estudante. Para isso, proponho uma tarefa clara e que esteja ao alcance do aluno naquele determinado trabalho. Por exemplo, para um digo que o desafio é revisar seu texto e evitar os erros de acentuação. Para outro, peço que relacione os conceitos. Para um terceiro, solicito que inclua a experiência dele de fora da escola no trabalho e assim por diante.
Com essa estratégia, minha intenção é que a atividade seja sob medida para cada perfil, ou seja, desafiadora, mas atingível. Dessa forma, é possível incluir outros objetivos além dos conceituais e fica mais fácil avaliar o desempenho da turma de maneira mais individualizada.  Também fica mais claro para o estudante o que se espera dele, fazendo-o observar seu próprio percurso e o que falta avançar. Esse procedimento, é claro, exige um conhecimento mais detalhado das turmas.
Para continuar no exemplo do post anterior, tanto a aluna rápida faltosa quanto a lenta assídua têm coisas a aprender na escola. Em uma situação que enfrentei recentemente, propus à estudante de ritmo mais lento que ficasse responsável por redigir apenas uma das respostas que o grupo deveria dar, enquanto os colegas fariam outras tarefas. Assim, disporia de bastante tempo. Isso diminuiu a ansiedade dela, que pôde seguir em seu ritmo para finalizar a redação. Do ponto de vista conceitual, não atingiu completamente o esperado, entretanto, houve um progresso inegável em termos de autonomia.
Com a rápida faltosa, tive uma conversa franca. Esclareci que suas ausências desestabilizavam o grupo, mas que percebia que ela compreendia rapidamente os conceitos envolvidos na pesquisa. Seu desafio, portanto, não poderia estar no campo conceitual. Para ela, a encomenda foi tentar faltar menos e organizar as tarefas do grupo no computador, buscando ensinar os colegas em vez de fazer por eles. Essa aluna mostrou-se mais comprometida nesse trabalho do que em outros e foi elogiada pelos demais por sua postura.
Nesse contexto, as duas alunas eram do mesmo grupo e ambas foram avaliadas positivamente nos aspectos em que progrediram, mas não deixei de sinalizar que existiam pontos a melhorar. Mais do que uma nota, as estudantes receberam uma devolutiva que as fez observar o percurso delas e apontou caminhos para avançarem.
Para elas, nesse trabalho em particular, minhas encomendas funcionaram. Não sei se funcionarão em um próximo. Usando um chavão docente: não existe receita. O que existe é reflexão e ação.
E você, professor, o que pensa sobre isso?
P.S.: Devo a outros professores a reflexão que resultou neste post: Pato Papaterra, Alexander Christianini, Cristiano Nogueira, Rodrigo Mendes, Sandra Souza, Cristiane Magnani, Ana Paula Nunes e vários(as) outros(as). Todos os comentários, muito pertinentes, ajudam a (re)pensar esse dilema da heterogeneidade dos alunos.

ALUNOS LENTOS E RÁPIDOS NA MESMA CLASSE

 | avaliação, comportamento, sala de aula

Disponível: http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/2014/11/19/alunos-lentos-e-rapidos-na-mesma-classe/

Crédito: shutterstock
A heterogeneidade das turmas é a grande marca da EJA, o que para nós, professores, é um grande desafio. Há dois perfis de estudantes que, quando estão juntos, são especialmente complicados para o docente. São eles o lento assíduo e o rápido faltoso. Veja se os exemplos a seguir são familiares a você:
Jaqueline* é uma aluna que já domina certos procedimentos escolares e tem facilidade para compreender as propostas do professor. Ela é sempre a primeira a terminar as tarefas e costuma fazer isso com competência. Por essa razão, frequentemente fica sem nada para fazer em sala, esperando que os colegas terminem as atividades. O ritmo mais lento dos demais irrita a estudante, que não tem paciência para trabalhar coletivamente e acaba assumindo uma postura individualista. É comum vê-la mexendo no celular ou em revistas que nada têm a ver com as atividades. Jaqueline falta muito às aulas, um padrão que se repete há alguns semestres.
Já Francisca* foi alfabetizada recentemente e ainda está se acostumando com o mundo letrado. A dificuldade com a leitura lhe traz problemas para compreender as propostas dadas. Apesar do ritmo lento, consegue executar as atividades e o desenvolvimento dela é visível ao longo do semestre. A aluna nunca falta às aulas e sempre interage com os colegas, pedindo ajuda quando não encontra caminhos e buscando contribuir nos pontos que domina.
Estudantes como Francisca e Jaqueline são comuns nas salas de aula e coexistem nas turmas de EJA. Então, como lidar com essa disparidade de perfis?
Em minha classe, tenho alunos muito parecidos com as descrições acima – embora não com os nomes citados. Em uma proposta de pesquisa, decidi colocá-los juntos em um mesmo grupo de trabalho, com a intenção de que um estudante aprendesse com o outro e as diferenças entre eles se compensassem. Porém, a estratégia não funcionou.
As faltas de “Jaqueline” desestabilizaram muito o grupo e, quando presente, ela buscava resolver todos os problemas sem consultar o que já havia sido feito. O ritmo lento de “Francisca”, por sua vez, acabou contribuindo para atrasar o trabalho. Apesar de ter conseguido realizar algumas tarefas e de seu desenvolvimento ser notado, ela não completou a pesquisa. Quando o grupo estava completo, era atropelada por “Jaqueline”.
Diante desse cenário, cabe refletir: é justo avaliar alguém como Jaqueline – que não participa de todas as aulas e interage pouco com os colegas, mas dá conta das propostas – negativamente? E pessoas como Francisca – que se esforçam, mas nem sempre atingem os objetivos–, devem receber sempre uma avaliação positiva?
Você, professor, já deve ter se deparado com situações semelhantes. Como se organiza para lidar com esses dois tipos de estudante? Fale sobre sua experiência nos comentários. No post da semana que vem, vou contar o que eu fiz para lidar com a questão na minha turma e como consegui superar o problema. Não deixe de acompanhar o final dessa história!
*Os nomes são fictícios.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Dia Nacional da Consciência Negra




Vinte de novembro é o Dia da Consciência Negra no Brasil. Comemorado há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, somente em 2011, com a Lei 12.519, foi instituído oficialmente esta data em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares – situado entre Alagoas e Pernambuco –, onde se refugiavam escravos negros fugidos dos engenhos do nordeste que lutavam pela liberdade.

Ao longo de décadas, mesmo após a assinatura da Lei Áurea, negros e negras vêm lutando contra o racismo e o preconceito a que estão sujeitos. Estudos e estatísticas na área demonstram a disparidade econômica e social entre os grupos etnicorraciais tanto na sociedade quanto no mundo do trabalho.
Muitos avanços foram conseguidos ao longo desses anos em termos de políticas públicas de ações afirmativas, dentre elas a reserva de vagas para negros em universidades públicas e mais recentemente nos concursos públicos com a Lei 12.990 de junho de 2014, reforçando o debate sobre a igualdade de oportunidades.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

FESTEJANDO A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: Alunos da EJA de Seropédica exibem trabalhos em evento da SMECE


Na última quinta-feira (13), a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte (SMECE) de Seropédica realizou a segunda edição da FestEJA, que é a Festa da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Município. O evento aconteceu no Seropédica Atlético Clube e contou com a participação de 250 pessoas.

“É sempre gratificante participar de eventos que tornam públicos os trabalhos dos alunos. Tenho visitado as unidades que trabalham com a EJA e sempre me surpreendo com o brilhante trabalho que vem sendo desenvolvido. Ainda temos dentro da EJA um projeto de Gestão e Inovação, que é a Brinquedoteca, e estamos na iminência de receber um prêmio por essa iniciativa, se Deus quiser seremos vitoriosos, pois reconhecidamente é um trabalho de qualidade, e que combate a evasão. Ambos os projetos só funcionam porque todos os envolvidos fazem a diferença. Obrigado e parabéns aos Professores, Coordenadores e Diretores”, comemorou Lúcia Baroni.





Durante o evento alunos de 9 unidades municipais de ensino  apresentaram trabalhos que foram desenvolvidos, no 2º semestre de 2014, com o 
Projeto: "Quem Somos Nós? A Identidade do Brasil e a Nossa Brasilidade".

DSC_0637 - Copia                                                                             As apresentações envolveram música, dança e representações culturais. Confira a Programação do evento abaixo (em mais informações). 
A festividade ainda contou com várias barracas temáticas onde foram expostas obras de arte criadas pelos próprios alunos e um sorteio de brindes.
A Educação de Jovens e Adultos de Seropédica é uma ação da Subsecretaria de Ensino da SMECE, sendo dirigida pela Subsecretária Eliana Cristina e Coordenada pelos Professores Adriano Lopes e Valéria Pereira e Orientada pela Professora Patrícia Carvalho.
A Coordenação e a Orientação Pedagógica da EJA agradece e parabeniza todas as pessoas que estiveram envolvidas na realização desta 2ª FestEJA . 
O sucesso é nosso!!!





quarta-feira, 12 de novembro de 2014

2ª FestEJA - FESTA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - VOCÊ É NOSSO CONVIDADO!!


A Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte, através da Coordenação Pedagógica da Educação de Jovens e Adultos, realizará a 2ª FestEJA 2014, no dia 13 de novembro de 2014, às 18horas, no Seropédica Atlético Clube, localizado em Seropédica / RJ.

 A Festa Anual da Educação de Jovens e Adultos - 2ª FestEJA - terá como tema, “Quem somos nós? A identidade do Brasil e a nossa Brasilidade”, de acordo com os trabalhos desenvolvidos nas Unidades Escolares Municipais da Rede de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte – SMECE, durante o 2º Semestre do ano letivo de 2014.


Haverá uma mostra cultural com apresentações dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos no 2º Semestre do ano letivo de  2014.


Coordenação Pedagógica da EJA
Adriano Lopes:  adrianolopes54@hotmail.com
Patrícia Carvalho:  patricia.cmei@hotmail.com
Valéria Luíza Pereira: vluizapereira@hotmail.com