quarta-feira, 16 de julho de 2014

FILMES PARA ESTIMULAR DEBATES COM JOVENS E ADULTOS



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2 de julho de 2014 às 11:00 | sala de aula
Aproveito a chegada desse mês de julho, em que muitos de nós estamos em recesso ou férias, para indicar alguns filmes nacionais que podem gerar discussões interessantes com os alunos. A seguir, algumas sugestões de filmes que já usei em sala de aula e acho bem adequados para a EJA:
Tapete Vermelho (Direção: Luiz Alberto Pereira | 2006 | 102 minutos | Brasil): É a história divertida de um caipira paulista que resolve, nos dias atuais, levar o filho para assistir a um filme do grande comediante Mazzaroppi no cinema. As aventuras e desventuras dessa família que sai do isolamento da roça em busca do cinema na cidade são emocionantes e engraçadas. É um bom filme para discutir as diferenças de costumes no meio rural e urbano, o choque cultural que os migrantes sofrem e as dificuldades na vida na cidade. Um aspecto que rendeu bastante discussão com meus alunos foi o papel que as curandeiras têm no mundo rural, em contraposição aos remédios industrializados do mundo urbano.
Besouro (Direção: João Daniel Tikhomiroff | 2009 | 95 minutos | Brasil): Narra os feitos do lendário capoeirista Besouro Mangangá, na Bahia do início do século 20. O filme expõe a triste realidade dos negros que continuavam sendo tratados como escravos mesmo após a abolição. É uma ótima maneira para iniciar discussões sobre a situação do negro no passado e no presente, além de alguns aspectos da cultura afro-brasileira, como a religião e a própria capoeira. O aspecto religioso foi um ponto de muita discussão entre meus alunos, o que acabou revelando preconceitos sobre as religiões de matriz africana, mesmo entre estudantes negros. O filme também abre possibilidades para conversar sobre a produção de açúcar, que até hoje é uma atividade econômica importante no Brasil.
Lixo extraordinário (Direção:  Lucy Walker e outros | 2010 | 99 minutos | Brasil): Documentário sobre a intervenção que o artista Vik Muniz, reconhecido internacionalmente, fez juntamente com os catadores de material reciclável no aterro do Jardim Gramacho (RJ), um dos maiores do mundo. O artista propõe a realização de obras em conjunto com os catadores, que não conhecem nada do mundo artístico. O filme abre portas para várias discussões interessantes: o consumo exagerado que dá origem ao imenso acúmulo de lixo que se vê no Jardim Gramacho; as discrepâncias entre dois mundos, o do artista e o dos catadores; o cotidiano e a organização dos catadores em uma associação profissional; o preconceito com o trabalho dos catadores; a questão do descarte de lixo e da reciclagem de materiais; a transformação na visão de mundo das pessoas por conta do contato com a arte. Há vários trechos em inglês, com legendas, o que pode requerer alguma mediação do professor.
Anjos do sol (Direção: Rudi Lagemann | 2006 | 92 minutos | Brasil): Conta a história de uma garota do interior do Brasil que é vendida pelos pais para um agenciador de prostitutas. É um filme que trata de temáticas delicadas e com enredo triste.  É um bom iniciador de discussões sobre gênero e sexualidade e pode ser usado para abordar questões como gravidez indesejada, exploração sexual infantil, tráfico de pessoas e violência contra as mulheres. Também trata das condições precárias de vida em certos locais do país, como nos garimpos. Apesar de gostarem do filme, meus alunos sentiram-se chocados e muitos se emocionaram; não é um filme que deixa as pessoas alegres. Não podemos esquecer que as várias situações de violência retratadas são comuns na vida de muitos brasileiros.
E você, professor, tem alguma sugestão de filme para usar nas aulas da EJA? Compartilhe conosco!



10 DÚVIDAS SOBRE O RELACIONAMENTO ENTRE COORDENADOR PEDAGÓGICO E PROFESSOR

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Quando o coordenador assume o posto, logo percebe que é difícil lidar com as pessoas, respeitar as diferentes opiniões e sugerir mudanças sem ser autoritário. Pedimos aos internautas que enviassem suas questões sobre a parceria de coordenadores e, para ajudar a resolvê-las, ouvimos consultores especialistas no assunto

Verônica Fraidenraich (gestaoescolar@fvc.org.br)
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1 Como posso legitimar meu papel de formador junto aos professores? Afinal, até há pouco tempo, eu estava em sala de aula como eles.
Durante anos, você cuidou somente da sua sala de aula, tentando resolver os problemas de aprendizagem da turma e procurando a melhor maneira de ensinar. Mas aí surgiram um concurso, uma seleção interna da Secretaria de Educação para o cargo de coordenador pedagógico ou você foi convidado para liderar a equipe docente. Você, claro, aceitou o convite ou se inscreveu no processo de seleção. 

Em uma posição hierarquicamente superior, logo percebe como é complicado lidar com a equipe, aprender a ouvir para compreender os problemas, respeitar os pontos de vista diferentes nas reuniões, usar as diversas opiniões para chegar a um consenso, mediar conflitos sem ferir suscetibilidades, liderar sem ser arrogante e sugerir mudanças sem ser autoritário. 

A pesquisa O Coordenador Pedagógico e A Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições mostra que dúvidas sobre como lidar com a equipe são comuns e 20% dos entrevistados apontam questões de gestão como um dos principais problemas enfrentados no dia a dia. 

No entanto, são os seus conhecimentos didáticos que vão fazer com que a equipe o aceite como o parceiro mais experiente, do qual vai receber orientações e no qual pode confiar. Para isso, é urgente ir atrás desses saberes e se preparar para o cargo. É possível requisitar formação específica junto à Secretaria de Educação e procurar leituras que ampliem o seu universo nas didáticas de todas as áreas do conhecimento.

COORDENADOR PEDAGÓGICO: o co-organizador do ensino

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Terezinha Azerêdo Rios é graduada em Filosofia e doutora em Educação.

"A gente dorme professor e acorda coordenador." Essa frase foi lembrada num encontro que tive, há pouco tempo, com equipes gestoras de algumas escolas paulistanas. Nela está entendida a ideia de que não há o preparo necessário para que o coordenador pedagógico exerça de modo competente sua função. E de que um bom professor não se transforma imediatamente num bom coordenador, uma vez que as exigências são diferentes para cada papel.

A questão que se coloca imediatamente é: o que caracteriza a função de coordenador? Do ponto de vista ético, espera-se o envolvimento com a construção coletiva do projeto político-pedagógico da escola e o compromisso com a formação continuada dos professores - elemento importante para atingir o objetivo de socializar a cultura e, nos processos de ensino e aprendizagem, promover a convivência solidária na instituição e intervir na construção da humanidade e da sociedade que queremos. 

Na denominação do cargo, já se aponta a tarefa básica: coordenar. Muitas vezes, já se falou do sentido de ordenar. E comandar é um dos primeiros que surgem. Quem coordena comanda. Embora essa ideia tenda a ser rejeitada quando se trata de Educação, vale fazer uma analogia com o trabalho de um regente de orquestra, de um técnico de futebol ou de alguém que é responsável por produzir, com as respectivas equipes, um resultado favorável não só para o grupo, mas principalmente para aqueles a quem se destina o trabalho: os espectadores, no caso dos músicos, e a torcida, no caso dos jogadores (obviamente, os alunos, quando se pensa na escola).

Ressaltando, no entanto, que o maestro não precisa saber tocar todos os instrumentos nem o técnico jogar em todas as posições. Assim, não é obrigação do coordenador ter conhecimento profundo sobre todas as áreas nas quais se desenvolve o trabalho de cada professor. 

Por isso, chamo a atenção para a dimensão ética do trabalho do coordenador. O pedagógico, que adjetiva a função, exige uma consciência do sentido do fazer coletivo e da estruturação de uma proposta que estimule a reflexão e a cooperação. O termo remete, ainda, à criação de um espaço para o diálogo e o aperfeiçoamento da prática educacional. 

Ordenar não é só mandar. É também comandar. Coordenar é pôr ordem em algo juntamente com alguém. Tal constatação implica um desafio: definir que ordem se deseja no trabalho, pois ela pode ser relacionada ao que é costumeiro - e esse, às vezes, está desgastado e precisa ser revisto. É interessante, nesses casos, perguntar, como faz o escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade em seu poema A Luís Maurício, Infante: "Uma nova desordem, não será bela?" 

Para enfrentar humilde e corajosamente esse desafio, como convém a quem assume uma atitude crítica, os coordenadores não podem deixar de considerar - e estimular - as experiências vivenciadas pelos professores, na pluralidade e na diversidade de suas práticas. 

No processo de formação docente, na partilha e na ampliação dos saberes, conformam-se também os coordenadores, continuamente. Conformam-se não no sentido de se resignar, mas no de configurar juntos, do jeito que se deseja o trabalho da instituição escolar.

COMO ELABORAR BOAS PAUTAS PARA AS REUNIÕES PEDAGÓGICAS

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http://gestaoescolar.abril.com.br/formacao/como-elaborar-boas-pautas-reunioes-pedagogicas-705307.shtml

Uma pauta estruturada ajuda a planejar o tempo e é uma aprendizagem para o coordenador
Aurélio Amaral (gestaoescolar@fvc.org.br)

Conduzir os encontros de formação de professores é uma das atividades que mais aparecem na rotina do coordenador pedagógico. Mas como garantir que eles de fato contribuam para melhorar a prática da equipe? O segredo para fazer reuniões cada vez mais eficientes é planejá-las com cuidado, prevendo todos os momentos - inclusive os de intervenção dos participantes. E a melhor maneira de fazer isso é elaborando uma boa pauta, que nada mais é do que um roteiro no qual devem constar os objetivos, os conteúdos que serão tratados, as estratégias propostas e os materiais necessários (veja um modelo na próxima página). 

Poucas pessoas dão importância a essa preparação. Porém formalizar em um documento esses itens tem vários propósitos. Primeiramente, a pauta evidencia a atuação do coordenador pedagógico na formação continuada docente. O arquivo desses registros é imprescindível na construção da memória coletiva da instituição e certamente vai servir de referência para os próximos formadores que ali vierem a atuar e também para outras escolas da rede. Dessa forma, o trabalho dos profissionais mais experientes vai auxiliando na formação dos iniciantes. 

Além disso, o planejamento contribui para a melhor utilização do tempo dedicado à formação. Imagine, por exemplo, deixar uma reunião inconclusa por haver conteúdos demais para o tempo previsto ou ter de interrompê-la para fazer cópias de um material que deverá ser consultado. Tudo isso se resolve ao detalhar o passo a passo do encontro. 

A pauta tem um papel ainda mais significativo. "Redigi-la é um momento de aprendizagem para o próprio coordenador", afirma Débora Rana, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 na categoria Gestor. As pautas elaboradas por Ana Iracema Scherer, coordenadora pedagógica da EMEF Presidente Nilo Peçanha, em Novo Hamburgo, a 42 quilômetros de Porto Alegre, não entravam em grandes detalhes até dois anos atrás. Ao começar a colocar no papel a descrição de cada etapa, ela passou a buscar mais referências teóricas, analisar o encadeamento da reunião com o objetivo da formação, estimar com mais precisão a duração das atividades e prever os passos seguintes com base nos conhecimentos que queria construir com a equipe. Isso contribuiu para o melhor trabalho dos docentes, como é o caso de Dóris Dettenborn, professora do 2º ano (leia os depoimentos nas imagens). 

Esse processo reflexivo continua inclusive na execução da pauta, momento no qual são incorporados os acontecimentos e as observações que alteram o documento inicial. A análise comparativa da reunião prevista e da efetivamente realizada dá pistas sobre se as estratégias formativas foram bem exploradas e ajuda na preparação dos próximos encontros.




VÍDEO: O COMPUTADOR PODE SER UM GRANDE ALIADO NA ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS

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Neste trecho do vídeo do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), do MEC, Emilia Ferreiro fala sobre o uso do computador na alfabetização de adultos. 
Na sequência, é apresentada uma aula em que os alunos adultos escrevem no computador um texto que sabem de memória.

7 AÇÕES PARA COMBATER A EVASÃO NA EJA

Para acabar com o abandono na EJA. Ilustração: Thiago CruzDisponível:


Conheça a seguir algumas medidas que ajudam a diminuir as faltas e a evasão de jovens e adultos

Marcelo Andrade (gestaoescolar@fvc.org.br). Com reportagem de Anderson Moço, de Niterói, RJ, Beatriz Santomauro, de São João do Oeste, SC, e Paola Gentile, de Silves, AM
Continue lendo a reportagem
·         1Uso de variadas linguagens
·         2Reorganização do tempo
·         3Currículo contextualizado
·         4Articulação com empresas
·         5Atendimento aos filhos
·         6Atendimento individual
·         7Acolhimento e merenda


DESMOTIVAÇÃO E EVASÃO: O que fazer para incentivar jovens e adultos?

 | evasão

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A evasão dos alunos é um problema grave na Educação de Jovens e Adultos em todo o país. Já ouvi muitos casos de classes que começam o ano com 30 alunos e, já no final do primeiro semestre, estão com metade das carteiras vazias.
Acho que todos nós concordamos que muitos dos fatores que levam nossos alunos a abandonarem os estudos estão fora do nosso controle. No entanto, há vários aspectos em que podemos ajudar. A seguir, listo alguns pontos que, em minha opinião, podem motivar os estudantes a permanecerem na escola.
Em primeiro lugar, a escola precisa ser uma experiência positiva. Para uma pessoa que já tem uma rotina pesada com trabalho, cuidados com a família, cuidados com a casa, entre outros afazeres, é difícil chegar à escola, no final do dia, e ainda por cima encontrar aulas desinteressantes, colegas desmotivados… Vou colocar de uma maneira mais simples: frequentar a escola não pode ser uma coisa chata. Tem que ser um momento agradável no dia de nossos alunos.
Penso também que a organização da escola tem papel fundamental na permanência dos alunos. Eles percebem rapidamente quando a escola está desorganizada, os professores são pouco assíduos ou o planejamento é falho. Já ouvi vários estudantes dizerem: “Larguei a minha outra escola porque ela era muito bagunçada. Os professores faltavam muito e não levavam a sério. Se nem eles levam a sério, por que eu vou levar?”.
Por outro lado, já ouvi dizerem: “Puxa vida, professor, você faz igualzinho à outra professora! Vocês combinaram?”. Essa sensação de que há uma organização, de que os professores trabalham em equipe e estão “levando a sério” é uma força que tende a puxar os alunos para a escola. Garantir o bom funcionamento da escola representa um trabalho enorme que diz respeito principalmente à equipe gestora, mas envolve desde manutenção e limpeza até o próprio comprometimento dos professores.
Outro ponto em que podemos ajudar é com a criação de vínculo afetivo com a escola. Se conseguirmos que os alunos gostem e se sintam ligados à escola, eles terão mais motivos para evitar deixá-la. Isso se soma à questão da experiência positiva, que já mencionei neste post, mas vai além. Penso que a escola tem que representar um lugar onde se tem acesso ao conhecimento, um espaço a que os alunos se apeguem e considerem importante para suas vidas.
Esse vínculo envolve também os colegas da turma. A escola é espaço para socializar, conversar, ouvir o outro. No entanto, nós professores costumamos exagerar no uso do giz e da lousa e promovemos poucas atividades em que os alunos possam interagir. Sempre fico chocado quando um estudante, no fim do semestre, revela que não sabe o nome de um colega, depois de tantas aulas! É um sinal de que a convivência não aconteceu, certo? Temos que evitar isso!
Penso que as atividades em que os alunos se organizam de maneira diferente, olham uns para os outros e trocam opiniões, colaboram para construir um clima de respeito e camaradagem que, no final das contas, constrói essa escola que faz o aluno “sentir falta”.
Um exemplo de uma atividade desse tipo é a dinâmica da teia, que relatei em outro post. Veja também os exemplos propostos por outros professores nos comentários.
Encerro lembrando mais um aspecto importante que diz respeito a cada área do conhecimento: o currículo. O que ensinamos na escola tem que ter ligações com o mundo do aluno. Conteúdos que só servem para as avaliações não são atrativos. Temos que procurar sempre promover aprendizados que ajudem o aluno a compreender o mundo que o cerca.
No site GESTÃO ESCOLAR, há reportagem com algumas ações bem-sucedidas no combate à evasão na EJA. Confira aqui.E em sua escola, existe o problema da evasão? Como você e seus colegas têm trabalhado para enfrentá-lo?

TRANSIÇÃO DO FUNDAMENTAL 1 PARA O 2: COMO AJUDAR OS ALUNOS?




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10 de julho de 2014 às 17:52 | sala de aula

É importante promover uma conversa com os alunos para explicar as mudanças que ocorrem com a passagem de ciclo. (Foto: Marcos Rosa)
Já ouvi relatos de alunos da EJA contando que têm receio de “passar de ano”. Reparei que isso é mais frequente entre os alunos que logo farão a transição entre etapas: do Fundamental 1 para o 2 , ou mesmo do Fundamental 2 para o Ensino Médio. Muito dessa hesitação pode ser encarada como receio das mudanças que acontecem nessas transições.
Muitas transformações ocorrem nessa passagem do Fundamental 1 para o 2. A principal, sem dúvida, é o aumento do número de professores: em vez de um professor de sala, que ocupa a maior parte do tempo, passam a ter vários professores, que dividem os horários na turma.
Do ponto de vista do aluno, aquele professor que era a referência, para quem ele poderia dirigir todas as perguntas, procurar orientações para suas dúvidas (muitas vezes até relativas a questões de fora da escola), não existe mais. Em geral, os alunos buscam substituir essa referência por outra, mas esse processo pode ser demorado e imprevisível, já que cada aluno pode escolher uma pessoa diferente da equipe.
Essa é uma questão sobretudo afetiva e muito importante. Por se tratar de jovens e adultos pode-se pensar que os alunos seriam capazes de se encaixar naturalmente na nova realidade. Isso muitas vezes não acontece e a equipe de profissionais da escola precisa estar atenta. Nesse sentido, professores, coordenadores e diretores que atuam nessas etapas de transição devem colocar-se à disposição para conversar com os alunos sobre suas dificuldades e estranhamentos em relação à nova etapa.
Do ponto de vista dos procedimentos, o maior problema está na organização. No Fundamental 2 aparecem as matérias de Geografia, História e Ciências, que já existiam antes, mas que agora estão separadas formalmente. Alguns alunos podem demorar a se adaptar a essas divisões. É muito comum, por exemplo, que os estudantes façam anotações no caderno sem dividi-las por disciplina, anotando na sequência a que assistem em determinado dia: se têm aulas de Ciências e depois uma de História, essa é a sequência em que anotam no caderno; não separam por matérias (o que é de Ciências no caderno de Ciências; o que é de História, na parte de História).
É preciso orientá-los quanto a esse aspecto e verificar se, de fato, seus cadernos estão refletindo a divisão das matérias e as sequências das aulas. O mesmo vale para a organização de folhas avulsas, de separação de material em casa para vir à escola (checando quais são as aulas de cada dia no horário) etc. Para muitos alunos, em especial aqueles que chegaram recentemente à escola, nada disso é trivial. Portanto, é importante que um dos focos do trabalho do 5º ano esteja sobre esse tipo de procedimento: organizar os cadernos e o material avulso, organizar-se em relação ao horário.
Outra estratégia para tornar essas transições mais tranquilas é promover atividades que reúnam duas turmas de níveis diferentes (por exemplo, turmas do Fundamental 1 e 2). Os alunos, ao verem as produções e o desempenho dos colegas de séries mais adiantadas geralmente se tranquilizam por terem uma ideia do que vem adiante. Percebem que os trabalhos não são absolutamente perfeitos, que os que já avançaram para a próxima etapa também tiveram que enfrentar desafios… E notam que os colegas não são tão diferentes e sabidos como eles pensavam. Perceber essa semelhança ajuda a tirar o receio dos alunos!
E você, já observou esse receio nas suas turmas? A sua escola tem alguma estratégia para lidar com essas transições? Conte pra gente!

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Alegrias, dúvidas e desafios de quem atua nessa modalidade de ensino


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http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/

ANALFABETOS NA ALEMANHA
16 de julho de 2014 às 14:30 | políticas públicas

A despeito da convincente vitória alemã no futebol, país ainda perde o jogo para os índices de analfabetismo
Não tem jeito. Nesta semana, o assunto é a Alemanha.
Por causa do bom desempenho na Copa do Mundo, temos lido e ouvido elogios à capacidade alemã de planejamento, de organização e de disciplina que levam, segundo dizem, ao sucesso.
Dando um salto do futebol para a Educação, gostaria de compartilhar neste espaço uma matéria que me surpreendeu. A despeito do sucesso de sua seleção nacional e da goleada que imprimiu ao Brasil, dados mostram que o sistema educacional alemão está “tomando de 7”: segundo pesquisa  divulgada em julho, na Alemanha existem 7,5 milhões de adultos que não sabem ler e escrever.
Ora, o senso comum nos diz que o analfabetismo é uma característica de países subdesenvolvidos, onde existe pouco dinheiro disponível e baixos índices de desenvolvimento humano, certo? Os dados da Alemanha contradizem em certa medida essa noção: 5º maior PIB do mundo, baixíssima vulnerabilidade social (5º maior IDH do mundo), sede de grandes empresas multinacionais, centro de decisões políticas e econômicas da Comunidade Europeia, terra de grandes universidades e de mais de 100 Prêmios Nobel…  A Alemanha tem também 14% da sua força de trabalho incapaz de ler um texto.
Onde o sistema educacional está falhando de maneira tão grave? Ao que parece, o sistema germânico é muito excludente e não favorece quem, por uma razão ou por outra, não consegue se enquadrar nele. Eis a visão de uma professora da EJA divulgada nessa matéria:
“Segundo Urda Thiessen, professora de alfabetização para adultos entre 18 e 64 anos de idade, o sistema alemão favorece os melhores e oferece poucas chances aos mais fracos. Quem termina o primeiro ano escolar sem saber ler ou escrever corre o risco de ficar analfabeto para sempre.
— No sistema de educação regular, não há nenhuma chance de recuperação desse déficit no início do período escolar, provocado muitas vezes por doenças ou crises familiares, como a separação dos pais — diz Thiessen.
São casos como o de Thomas S., de 21 anos. No primeiro ano escolar, ele faltou muito à escola por motivo de doença. Como os pais não tinham dinheiro para pagar aula particular de apoio, Thomas terminou analfabeto.”
Em uma pesquisa rápida, descobri que, embora esses dados sejam novidade para mim, eles não eram para o Ministério da Educação Alemão. Esta outra matéria (em inglês), informa que números semelhantes foram divulgados em 2011, provocando constrangimento no ministério, que anunciou investimento de cerca de 20 milhões de euros na educação de adultos.
Fazendo um cálculo simples, percebemos que o investimento por aluno é baixíssimo: 20 milhões dividido por 7,5 milhões é igual a 2,7 euros. Cerca de R$ 8 por aluno… para fazer com que uma pessoa adulta estude e deixe de ser analfabeta.
Não tenho o objetivo de chegar à conclusão de que a Educação no Brasil é melhor que na Alemanha. Longe disso. Os dados mais recentes do Índice de Alfabetização Funcional (INAF) nos informam que cerca de 27% dos brasileiros de mais de 15 anos são analfabetos funcionais, o que configura quase o dobro do percentual alemão.
No entanto, vejo muitas semelhanças entre as duas situações. Tanto no Brasil como na Alemanha, o problema do analfabetismo de adultos não é desprezível. Ele já foi amplamente divulgado e as autoridades, no discurso, mostram-se constrangidas. Entretanto, as atitudes efetivamente tomadas e o investimento feito, nos dois casos, ainda são pífios para enfrentar seriamente a questão.
Parece que, em relação ao analfabetismo, os dois países ainda têm muito o que jogar…
TAGS: Alamanha, Analfabetismo, Brasil